7.8.20

Diálogos Limiar : Criação literária em prosa e poesia

 


​"Diálogos Limiar" é um novo espaço criado pela Limiar para debates, troca de ideias e experiências sobre literatura, livros, arte, sociedade, enfim, sobre a vida.

Já tínhamos essa ideia há algum tempo, mas o torvelinho diário acabava por postergar o início do projeto, com o isolamento social e as pessoas necessitando, ainda mais, se comunicar remotamente, foi o momento propício", analisa o editor da Limiar, Norian Segatto, que participa desse primeiro episódio com seu livro A estrela do abismo.  

O evento foi gravado na Biblioteca Viriato Correa, em São Paulo, e contou com  participação da poeta Sandra Regina de Souza (autora de Texto Sentido e Haicaos, entre outros) e do escritor José Arrabal (autor de O terrível gosmakente, entre outros).

Sandra Regina
Sandra destacou como, a partir de uma palavra, um pensamento, surge um poema, uma fonte inspiradora que passa a ter forma, sonoridade e alma.Suas poesias brincam com as palavras e os sentidos.

O papel do corpo

Meu corpo é pergaminho...
É folha em branco
a ser preenchida pelo lirismo de teus impronunciáveis fonemas
É papel reciclado
que aguarda tua caneta inescrupulosa
a deixar-lhe as regências de tuas rimas mais raras
Meu corpo é papel pautado
ansioso por teus vocábulos concretos
... teus movimentos ritmados
a colocar-lhe indecifráveis metáforas nas linhas
Meu corpo é papel-carbono
... reproduzindo tuas efêmeras impressões!    (poema de Sandra no livro Texto Sentido)


O jornalista, tradutor e escritor, José Arrabal, contou que se iniciou nas letras muito jovem, com oito, nove anos, quando escreveu o conto "A cidade dos Dias" e mostrou para seu pai, que o incentivou a continuar escrevendo. "Me tornei o maior mentiroso da paróquia, inventava lugares que nunca tinha ido, que conhecia apenas das enciclopédias", disse. 
Para Arrabal, escrever é um ato de "consertar as lembranças".

Norian Segatto comentou de que forma se deu sua iniciação literária; "o primeiro romance que me marcou foi 'as meninas', de Lígia Fagundes Telles", lembrou. "Me formei em jornalismo e passei a vida toda em contato com a escrita pelo exercício da profissão. Há cerca de dez anos me atrevi a escrever um primeiro romance, marcadamente autobiográfico e, neste segundo, me impus o desafio de fazer algo completamente diferente", contou.   

O debate foi transmitido ao vivo pelo facebook, o link da íntegra encontra-se na descrição do vídeo no Youtube.

    






21.7.20

Um “perigoso” camarada



Noé Gertel em Praga, onde trabalhou em
uma rádio, após se aposentar no Brasil     



Por Norian Segatto

Em seus mais de 80 anos de vida, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo é uma referência de luta democrática. Por ele passaram nomes que, com sua dedicação ao jornalismo ou sua militância social e política, fazem parte da história do país, do jornalismo e dos jornalistas.

Nesta atual gestão do Sindicato, a diretoria passou a investir na formação de um Centro de Memória, com o objetivo de resgatar essas histórias. Eu tenho o privilégio de poder ajudar tal iniciativa. Uma dessas figuras históricas é Noé Gertel, jornalista morto em 2002, aos 87 anos. Para saber mais sobre a vida de Noé, filho de judeus imigrantes e um notório combatente comunista, pesquisei artigos de jornais como a Folha de S.Paulo (onde ele trabalhou) e revistas, como a Novos Rumos, que publicou pelo menos dois artigos sobre ele.

Conversei, também, com a sua filha, a atriz e jornalista Vera Gertel, ela própria detentora de notável biografia, que descreve no livro “Um gosto amargo de bala” (Civilização Brasileira, 2013). A partir da leitura do livro tive uma compreensão mais profunda do homem, do jornalista e do militante Noé Gertel.

15.7.20

Claire Varin fala de sua simbiose com Clarice Lispector




Nesta entrevista, a canadense Claire Varin, autora do livro "Línguas de Fogo - ensaios sobre Clarice Lispector" fala como se interessou e pesquisou sobre a vida e a obra da grande autora brasileira. A entrevista foi realizada em 2015 pelo programa Persona, da UFPR, mas continua sempre atual, assim como a obra de Clarice.

Línguas de fogo


Um estudo profundo e apaixonado sobre a vida e obra de Clarice Lispector. Como muitos brasileiros, Claire se apaixonou pela obra da escritora brasileira; aprendeu português para poder ler os textos de Clarice na língua original e esteve no Brasil diversas vezes apreendendo esse estranho país dos trópicos.

O livro, resultado de uma tese nada academicista de doutorado para a Universidade de Montreal, analisa a obra de Clarice Lispector em sintonia com sua vida, sua formação em uma família judia e como esposa de embaixador.

Um livro indispensável para quem já conhece a obra de Clarice ou para aqueles que desejam se aventurar pelo mundo particular da maior escritora brasileira. Um livro para os apaixonados pela boa literatura.




PALAVRÃO é uma palavra grande







Por Shellah Avellar


Steven Arthur Pinker, psicólogo e linguista canadense, acredita que a raiz histórica dos palavrões talvez tenha sido a religião, durante a Idade Média, quando evocar o nome de Deus de forma blasfema era o pior dos palavrões. Nesta época surgiram expressões tais como “vá para o diabo”.
Depois, foram sendo criadas novas expressões, ligadas à sexualidade e ao corpo humano e denominadas de baixo calão.
Seria impossível listar aqui todos os palavrões do idioma português, pois diariamente surgem mais maneiras de ofender alguém ou de expressar algum descontentamento e sentimento através de gírias e outros xingamentos.
Talvez seja urgente conhecer palavrões aos quais você não esteja habituado. Você pode se surpreender com a quantidade e as   diversas variações a seu dispor para quando desejar espinafrar alguém.
Ou, quem sabe, você queira decorar algumas dessas palavras para usar em suas redes sociais para impressionar a galera com gírias raras e chocar com as expressões de cunho obsceno?
Talvez queira utilizá-los nas tribunas, nos pódios, nos microfones, nas entrevistas, nas coletivas de imprensa, nas reuniões familiares, profissionais, executivas e ministeriais, nos botecos de sua preferência ou nas esquinas da vida.
Assim poderemos vê-lo fungando, careteando e agitando as mãos, enquanto espera que alguém traduza o seu desprezo pelos seres humanos.
Cúmulo da “ignomínia”, você acha que pode impingir qualquer impropério aos bípedes engessados que lhe prestam atenção e comungam de seus desvarios.

Permite-se arengar sobre as Instituições que garantem o livre exercício do processo democrático.
Brinca de Deus, vociferando sua mixórdia de ideias, confinando-as na obscuridade e deixando o auditório perplexo.
Sim, você nos presenteou com uma cena única onde se enfrentam e se enlaçam a baixeza e a perversão.
O mais interessante é que os que o aplaudem e seguem, também são alvo de seu escárnio e de seus despropósitos de afundar a nação e de vendê-la a preços módicos sucateando todas as camadas de força produtiva deste país à exceção de seus comparsas.
A maior parte dos palavrões originaram-se de termos não-escatológicos que, por convenções sociais e metáforas de duplo sentido, acabaram por tornar-se uma forma obscena de representação. Diversos deles vieram de radicais latinos como a expressão “caralho”, que surgiu do latim characulu, “boceta”, que veio do latim buxis. “Foda-se”, que vem do latim futere e “puta”, que veio do latim putta. Alguns palavrões mantém seu sentido original, como “foda”, “cu” – forma estendida do latim culus. Algumas dessas palavras foram aportuguesadas de línguas como o espanhol, francês e inglês, tais como o termo “merda”: “mierda” no espanhol e “merde” no francês.
E, ao assistir esta performance grotesca, me lembro do caricaturista e ilustrador inglês Georges Cruikshank, que desenha estas pequenas criaturas que nem sempre nasceram viáveis. Ejacula este mundo minúsculo que se revira, se agita e se mescla com uma petulância indizível, sem se inquietar muito se todos os seus membros estão bem em seu lugar natural e com muita frequência, se debatem como podem.
Para horror dos que me conhecem, me permiti aqui discorrer sobre o PALAVRÃO, que na verdade, significa expressão pomposa e empolada, ou, uma palavra GRANDE.
Sabem por que? Porque até ingressar na Faculdade de Arquitetura, só conhecia e falava o palavrão “merda”. Ou porque não ouvia outros em casa e nem no colégio. Ou porque talvez não sentisse necessidade de utilizá-los porque tinha mais o que “ler”.
Minha mãe me contou que aos três anos de idade, ela ficou intrigada ao me ver no quintal de casa tentando subir numa latinha. E, impreterivelmente, perdia o equilíbrio e dizia “meda”…E ela caía na gargalhada, porque sabia que quando algo dava errado, ela exclamava merda.
Ou seja, nunca subestime a atenção subliminar e a observação privilegiada de uma criança ao seguir o exemplo dos pais. Crianças são agentes secretos perigosos. Poderiam ser extremamente úteis se contratadas pela C.I.A ou pelo F.B.I. Vai que a moda pega…
Hoje, meu repertório aumentou bastante, até porque parece ser a tônica dos pronunciamentos do poder vigente e, aliás, “haja poder “. Portanto, não consigo evitar de ouvi-los e algumas vezes repeti-los.
Isto não faz de mim recatada e do lar, nem careta. Às vezes, as palavras suaves e os argumentos firmes podem atingir o alvo mais precisamente que o palavrão, quando este é proferido “sem lenço e sem documento”.
Tenho amigos e amigas que falam muitos palavrões e acho o maior barato, porque não consigo vê-los sem portar seu rol de “palavras grandes “muito bem empregadas e na hora certa, no lugar certo e para as pessoas “incertas”…
Cai muito bem em humoristas e comediantes como Paulo Gustavo e o Coletivo Porta dos Fundos.
Por outro lado, também acho o Pedro Cardoso o máximo quando diz que não fala palavrões e arrebenta na retórica para defender seus pontos de vista.
Não estou aqui para defender a tradicional família brasileira com a hipocrisia de que não falar palavrões é sinônimo de boa educação.
A dor e a repulsa me acometem quando os nossos compatriotas estão sucumbindo -literalmente a céu aberto – numa tragédia pandêmica, esta sim, despudorada e de proporções sem precedentes na história do Brasil.
Os estrondos da servidão ao ódio, que resulta de um acasalamento de insetos que se agarram no abraço da agonia, esfacelam nossos tímpanos quando você interpreta seu monólogo de destruição.
E, assim, como os artistas, que você persegue tanto, desejam boa sorte a seus pares nas estreias de seus espetáculos, lhe desejo: MERDE!
Estamos aqui, na fila do “gargarejo” aguardando o gran-finale.
E, talvez, este grand-finale, não seja aquele em que A Educação, Os Direitos Humanos, a Saúde,o Meio-Ambiente e a Economia se utilizem de bizarrices e confidências cifradas e decretos oficiais misturados num saco de lixo esquecido no último vagão do trem dos horrores.
Mas, seja, sim, quem sabe, uma esperança desesperada, que num átimo estertoroso de oblação, transforme água em vinho e o sangue em pão e grite:
LIBERDADE! ABRA AS ASAS SOBRE NÓS!

Curso Escuta e Subjetivação



O psicanalista, dr. Dany Al-Behy Kanaan, autor do livro À escuta de Clarice Lispector (Editora Limiar) ministra esse minicurso que irá abordar psicanálise e literatura. Dany é um estudioso da obra de Clarice Lispector, tendo outros livros e estudos sobre a grande autora brasileira.

À escuta de Clarice Lispector


Confira a opinião dos psicanalistas Renato Mezan e Luis Claudio Figueiredo sobre o livro de Dany Kannan:

Desde o tempo de Freud, os psicanalistas espiam a literatura com admiração e com ambição. Admiração pelo encantamento que o ficcionista é capaz de suscitar, pela engenhosidade com que constrói sua trama de palavras; ambição de desvendar os mecanismos pelos quais ele produz suas obras, de compreender por quais vias o “efeito literário” desperta emoções e identificações no leitor. Freud mesmo dizia que tinha aprendido mais sobre a alma humana com Shakespeare, Goethe e Cervantes do que com os psiquiatras do seu tempo. Assim, como modelo ou como objeto, a literatura há muito brilha no horizonte da Psicanálise.
A originalidade do livro de Dany Kanaan está em escapar deste impasse através de uma “leitura clínica”, de uma verdadeira escuta do processo de subjetivação de Clarice Lispector, tal como ele transparece nos movimentos de construção da sua escrita. O emprego da referência bíblica torna esta via ainda mais original, e o resultado é um livro sensível, erudito sem ser pedante, e ousado sem ser temerário: uma ótima entrada no universo clariceano, e além disso uma demonstração de que os instrumentos da Psicanálise, quando usados com critério, são sutis e precisos. Se o leitor acompanhá-lo nesta viagem, só terá a ganhar.

Renato Mezan
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Em À escuta de Clarice Lispector, Dany Kanaan cria uma alternativa muito original para o dilema entre separar ou integrar vida e obra de autores e autoras. Não recua diante da necessidade de ir ao encontro da dimensão "autobiográfica" na ficção da autora, nem pretende juntar em pseudo-explicações o texto ficcional e os acontecimentos da vida. Encontrou, nos textos sagrados do Antigo e do Novo Testamento, uma plataforma de ressonância ecoante, em que as notas e harmonias da vida e da escrita se entrelaçam na produção de um novo texto: o texto do leitor.
Nesta obra, a experiência moderna e contemporânea de Clarice Lispector – seja na sua vida, seja na sua escrita – repercute e nos retorna desde a arcaica tradição judaico-cristã em que foi formada. Em que todos nós nos formamos. E é assim que um "método" que aposta na singularidade da escrita e da leitura nos traz de volta ao solo universal de nossas origens subjetivas.
Luís Claudio Figueiredo


14.7.20

Setor editorial encolheu 20% entre 2006 e 2019




fonte: CBL


Coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro teve sua série histórica atualizada, incluindo os dados apurados em 2019 pela Nielsen Book. Dessa forma, o estudo passa a contemplar os números de 14 anos de atividade editorial no país.
A série histórica registra um decréscimo de 20% no faturamento total de 2006 a 2019.  Embora em 2019 o crescimento tenha sido de 6%, tal performance não foi suficiente para repor a perda acumulada nos últimos 14 anos, notadamente a partir de 2015, quando começou a crise econômica. Com os dados coletados, é possível constatar os impactos desse momento do país e também dividir a série em duas fases distintas: 2006-2014 e 2014-2019.

9.7.20

Análise de Lalo Leal sobre as revelações contra Sergio Moro



O jornalista, professor e diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Lalo Leal Filho, discorre nesse vídeo sobre a atitude da mídia comercial diante das revelações da ligação entre a operação Lava Jato e o FBI, dos Estados Unidos, em evidente violação à legislação brasileira.
Assista ao comentário.