Analytics

18.1.18

Mas que p... tem debaixo do obelisco?




Por Mouzar Benedito

Acabo de publicar mais um romance, chamado O mistério do obelisco e sei que uma pergunta de leitores vai se repetir: “Os seus livros são relacionados a você mesmo e ao lugar onde nasceu?”.
Esta pergunta é comum e feita não só a mim, mas a outros autores também. No meu caso, há quem acredite que alguns livros são partes de uma autobiografia. E esses mesmos livros ou outros têm como cenário Nova Resende, cidade onde nasci e vivi até completar 16 anos de idade.
Tem um pouco a ver, mas não é totalmente assim. Acho que as experiências pessoais acabam entrando de uma forma ou de outra nas coisas que a gente escreve. E Nova Resende foi muito marcante para mim, apesar de ter vivido pouco tempo lá. Mas foram anos intensos, apesar da modorra que era a vida naquele ermo. Personagens para livros é que não faltavam lá.
Em alguns dos meus livros a cidade e alguns personagens dela estão presentes. Às vezes tão presentes que me causaram problemas, como aconteceu com meu primeiro livro, Santa Rita Velha safada, de causos. Teve gente que ficou braba e eu soube que até a Câmara de Vereadores fez uma reunião especial para me amaldiçoar. Já o romance com fundo histórico O tropeiro que não era aranha nem caranguejo foi ambientado lá mesmo, explicitamente.
Agora minha memória anda me puxando para um passado remoto, que remete às minhas origens. Coisa de velho, né? Publiquei, em 2017, no formato e-book o romance Chegou a tua vez, moleque, que tem tudo a ver com Nova Resende, mas é ficção, só que com fundo de verdade e, como procuro fazer sempre, com humor.
Não dei ao local em que é ambientado o nome da minha cidade. Na época em que ele se desenrola, final dos anos 1950 e início dos 60, tanto a cidade quanto a região estavam numa decadência profunda, e os jovens não viam nenhum futuro ali. Tinham que se mandar para e trabalhar e estudar. Claro que baseei um pouco do que escrevi em minha própria adolescência ali, mas não é uma autobiografia.
Agora resolvi publicar em formato de livro mesmo, de papel, o romance O mistério do obelisco, que se passa em meados dos anos 1950, num lugar chamado Vila. Aliás, Nova Resende é chamada até hoje de Vila por muitos dos seus moradores. Alguns leitores vão, com certeza, procurar identificar personagens e “lembrar” de alguns fatos acontecidos na época ou questionar histórias como se eu tivesse escrito uma espécie de documentário.
Então lembro: é ficção. Alguns personagens são inspirados em amigos, mas nem todos. Há personagens totalmente fictícios. E mesmo quando os personagens podem ser identificados com alguém, é preciso lembrar que as situações em que aparecem podem ser fictícias.
Tem tudo a ver com o que acontecia na época, com o nosso cotidiano, com o nosso modo de ver o mundo, mas não é um documentário.  Se alguém for querer confrontar os fatos citados nele, vai ver que há fatos históricos fidedignos, sim, mas também há fatos romanceados ou colocados fora de sua época. É um romance em que procurei “falar” com humor de um Brasil e de certo tempo que parecem pura imaginação.
Em vez de falar mais sobre o livro, prefiro publicar aqui o que a Célia e eu escrevemos nas orelhas dele.  Aí vai:

Passar a infância em uma cidadezinha do interior pode ser muito divertido para um menino curioso, na década de 1950.
Os meios de comunicação restritos – não havia televisão e poucos moradores tinham rádio – e o acesso à informação precário deram um trabalho danado ao menino que queria respostas. Descrevendo o cotidiano ingênuo daquele tempo, o autor nos remete a um cenário terno e afetuoso, fazendo-nos sentir saudade de uma época que só podemos imaginar.
Narrado de forma leve e bem-humorada, essa história nos revela muito da personalidade do hoje homem que foi aquele menino.
Célia Regina Talavera

“Pueril”. Com uma só palavra, a Célia, minha mulher, disse o que achou quando acabou de ler os originais deste romance. A história é contada por um menino de 7 anos de idade, que vivia nos confins de Minas Gerais, numa cidade tão pequena que os próprios moradores chamavam de Vila, em meados dos anos 1950. Sim, há muita ingenuidade nele. Perguntei a ela: “Vale a pena publicar?”. E sua resposta foi a lembrança de uma placa numa pequena casa comercial da avenida São João, em São Paulo, há uns trinta anos: “Vende-se lingüiça de porco para quem gosta de lingüiça de porco”. Quer dizer: tem quem goste. E não é pouca gente. Alguns livros do angolano Ondjaki têm uma ingenuidade e um estilo que emocionam e são extremamente bons de se ler. Aliás, foi depois de ler Ondjaki que me senti compelido a escrever este livro.
Assimilei algo dele: juntar os nomes e sobrenomes ou apelidos das pessoas, transformando-os em uma só palavra.
Enfim, viajei no tempo e me tornei um menino contando esta história. Gostei muito de ter feito isso. E se a Célia o considerou “pueril”, pensando bem, era o que eu esperava. E espero que os leitores entendam isso e gostem.
                                                                                              MB

Agora “nossos comerciais”: o livro vai ser lançado no dia 5 de fevereiro, segunda-feira (uma semana antes do Carnaval), a partir das 19 horas, no Bar das Empanadas (rua Wisard, quase esquina com a Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo). Ele não deve ter distribuição em livrarias. Pode ser encomendado a mim mesmo ou à Editora Limiar. São 240 páginas e só vou cobrar R$ 30,00 mais a despesa do correio. Quem preferir receber o(s) livro(s) em mãos, proponho encontro em algum boteco barato da Vila Madalena (nos bares careiros eu não vou). Além do preço dos livros, só vai gastar o que consumir. O que eu consumir, eu mesmo pago. Quem quiser encomendar desde já, pode entrar em contato comigo pelo e-mail mouzarbenedito@yahoo.com.br  ou mouzarbenedito1@gmail.com.


14.1.18

PALESTINA, um olhar além da ocupação





Clique aqui ir ao site da Limiar


Em visita oficial à Palestina, em 2015, os vereadores de Foz do Iguaçu, Nilton Bobato  (atualmente, vice prefeito da cidade), e de Cascavel, Paulo Porto, ambos do PCdoB, e Jihad Abu Ali, presidente da Sociedade Árabe Palestina de Foz do Iguaçu, presenciaram a ignóbil realidade da ocupação israelense em território palestino. O olhar sobre essa realidade é retratado neste emocionante livro. 
"Queríamos falar da gente palestina, do seu dia a dia, do que vimos além da ocupação e com isso possibilitar a visão de que na Palestina tem pessoas que vivem, são solidárias e organizam suas vidas para conviver e lutar contra esta atrocidade que se prolonga por impensáveis 70 anos.
Gerações inteiras de palestinos foram dizimadas ou expulsas de suas terras, enquanto isso o mundo continua a aceitar as atrocidades de Israel.
Espero que este livro ajude a mostrar a Palestina que precisa ser defendida, visitada, estudada, apreciada", afirma o autor Nilton Bobato.
O livro ganha especial dimensão com as fotos de Paulo Porto, que captou, além dos encontros oficiais, o dia a dia da população. 

Os autores
Nilton Bobato é professor, escritor, já foi vereador e atualmente (2018) é vice prefeito de Foz do Iguaçu. É membro da Academia de Letras de Foz do Iguaçu e possui sete livros publicados. É vocalista da Banda Morthal.



Paulo Porto é docente da Universidade Estadual do Paraná, doutor em Educação e fotógrafo documental. Atualmente está no segundo mandato de vereador no município de Cascavel/PR pelo Partido Comunista do Brasil. Atua como militante da reforma agrária e na defesa dos direitos e território das comunidades indígenas Guarani do oeste do Paraná.

Clique aqui para ir à loja virtual da Editora Limiar

8.12.17

Greve de fome contra a reforma da Previdência

Frei Sergio Görgen, Leila Denise Meurer e Josi Costa


Os militantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), frei Sergio Görgen, Leila Denise Meurer e Josi Costa, iniciaram uma greve de fome contra a Reforma da Previdência, na manhã da terça-feira, 5, na Câmara dos Deputados. Ao final daquele dia, decidiram dar continuidade ao protesto na sede da Federação Nacional do Jornalistas (Fenaj), em Brasília.
Eles deixaram a Câmara dos Deputados devido ao local não oferecer condições adequadas de permanência. “Como não sabemos quantos dias a greve vai durar, precisamos de descanso, sossego e economia de energia. E lá é muito agitado. Além não ter local para tomarmos banho. Além disso, o regimento da casa não permitia que usássemos os banheiros públicos depois do horário de expediente”, explicou Görgen.
Com o gesto, os militantes do MPA querem pressionar e sensibilizar os deputados a votarem contra a reforma da Previdência, que, caso seja aprovada, deve acabar com a aposentadoria dos trabalhadores, principalmente os do campo.
Novas adesões
Segundo o MPA, a proposta é a greve durar até o dia 18, data marcada pela Câmara para a votação da reforma. "A partir de segunda-feira outros companheiros irão se somar nesta greve e a perspectiva é que o MST e outros movimentos se juntem realizando greves de fome nas assembleias estaduais pelo país afora. Estamos em greve de fome para que o Brasil não passe fome", declarou ao blog um integrante do MPA.
(com informações da Fenaj)

31.10.17

RESPEITA AS MINA


Fui assistir ao jogo do Palmeiras x Cruzeiro (30.out.2017) em um bar nas imediações do Allianz Parque (que continuo a chamar de Parque Antártica). É sempre uma experiência divertida e interessante quando não acaba em confusão (coisa que nunca presenciei ali).

Jogo nervoso, Cruzeiro à frente desde o início da partida por conta de um gol contra de Juninho, tensão na torcida que assistia pelo telão do bar. Xingamentos, muitos xingamentos, a cada passe mal dado, a cada roubada de bola do adversário, a cada lance. 

Xingava-se juiz, jogadores do time adversário, do próprio time, técnicos, até que do meio da pequena multidão que ocupava uma faixa da rua veio o grito - endereçado a um jogador do Cruzeiro, que obviamente não ouviria: "Eu já comi a vagabunda da sua irmã". Ao mesmo tempo, outra voz anônima, masculina, retrucou: "Respeita as mina". 

Por uma fração de segundo se fez silêncio. O "comedor" de irmãs de cruzeirense nada disse, ninguém vaiou, ninguém saiu em sua defesa, os olhos continuaram fixos na tela até explodir de alegria com o gol de empate do palestra verde.

Até o final da partida muitos outros palavrões foram ouvidos, muitos "tomar no cu", "caralho", "lixo", mas nenhum mais diretamente ofensivo à condição feminina.

Xingar pode, mas respeita as mina.  

26.10.17

Relatório da CPI afirma que Previdência não é deficitária



Senadores Hélio José (PROS-DF) e Paulo Paim (PT-RS), relator e presidente
a CPI da Previdência  
Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência aprovou na quarta-feira, 25, o relatório do senador Hélio José (PROS-DF), que mostra que a Previdência não é deficitária, mas sofre um problema de gestão. “São absolutamente imprecisos, inconsistentes e alarmistas os argumentos reunidos pelo governo federal sobre a contabilidade da Previdência Social, cujo objetivo é a aprovação da PEC 287” (reforma da Previdência), afirmou o senador no dia 23, ao apresentar o resultado de seu relatório. O relatório foi aprovado por unanimidade na CPI, após um acordo para a retirada do pedido de indiciamento dos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Eliseu Padilha (Casa Civil). “Esta é a casa do bom acordo”, definiu o senador Hélio José.


Reforma de FHC
O relatório da CPI parte de uma análise histórica da seguridade no país e atribui a gênese dos problemas à reforma imposta no governo Fernando Henrique (1995-2002). As pesquisadoras Rosa Maria Marques, Mariana Batich e Áquilas Mendes analisam em sua tese sobre a Previdência que 
“Embora o poder Executivo tivesse colocado em discussão a reforma da previdência já nos primeiros anos de 1990, mal tinham sido decretadas as leis 8.212 e 8.213, que regulamentavam o custeio e os benefícios previdenciários, segundo as determinações da Constituição de 1988, somente em 1995 tomou as providências para mudar os dispositivos constitucionais que permitiriam as mudanças que considerava necessárias. Assim em março de 1995, [FHC] apresentou ao Congresso Nacional a proposta de emenda constitucional conhecida como PEC 33. As discussões a respeito ficaram em pauta até julho de 1996. Devido às repercussões negativas que suscitou em relação alguns aspectos da proposta, sofreu reformulações, sendo reapresentada em 1997. No dia 15 de dezembro de 1998, finalmente foi aprovada a Emenda Constitucional n º 20”.
Para o relator da CPI, o governo FHC “atingiu de morte a visão sistêmica e integrada da seguridade” ao retirar a compensação financeira entre a Saúde, a Previdência e a Assistência Social (três campos que compõem o sistema de seguridade no país). “Tal autonomia provocou o desmembramento das áreas em detrimento de uma ação coordenada e sistêmica”, afirma o relatório.

A criação da DRU (Desvinculação de Receitas da União), também no governo FHC, é apontada pelo relatório como mais um fator de desestabilização da Previdência Social. “Uma parcela significativa dos recursos destinados ao financiamento da Previdência foi redirecionada. Segundo cálculos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais (Anfip), entre 2005 e 2014 um montante da ordem de R$ 500 bilhões foi retirado da Previdência via DRU”, diz o relatório.

Instalada no final de abril, a CPI realizou 26 audiências públicas, ouviu mais de 140 pessoas e teve como presidente o senador Paulo Paim (PT-RS). A assessoria do senador informou que deseja acelerar a tramitação do relatório nas comissões e no plenário do Senado para que ele seja apreciado antes que a Câmara analise a proposta de reforma da Previdência proposta pelo governo, cujo objetivo final é transferir recursos da Previdência pública para os sistemas privados de seguridade oferecidos por instituições financeiras.  

17.10.17

Enquanto aumenta o valor do gás, governo abre mão de R$ 1 trilhão em incentivos fiscais





O governo anunciou no dia 10.out.2017 novo aumento do valor do gás de cozinha. Está é a quarta alta em dois meses, o que fez o valor    do botijão atingir uma alta acumulada de 44,8% (em dois meses!).

Enquanto as panelas que batiam em protesto ao governo anterior vão ao forno com esse expressivo aumento, está para ser votado no Congresso a Medida Provisória 795/2017, editada em setembro e que garante incentivos fiscais para a exploração do petróleo – uma renúncia fiscal calculada em R$ 1 trilhão de reais conforme estudos da Consultoria Legislativa da Câmara. 

A MP 795 seguiu tramitação em tempo recorde em uma Comissão Mista presidida por José Serra, conhecido defensor dos interesses das petrolíferas estrangeiras. Após a rápida tramitação, Serra renunciou à presidência da Comissão no início de outubro. O relator é o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ). A intenção do governo é aprovar a MP até o dia 27 deste mês, quando a ANP (Agência Nacional de Petróleo) realizará a segunda rodada de leilões nas áreas do pré-sal. 

Pelas regras da medida provisória, a participação do Brasil em cada barril – na prática, a porcentagem que o país recebe de cada um deles – passará de 59,7% para 40%, uma das mais baixas do mundo.

O estudo da Consultoria Legislativa compara a participação estatal em vários países (veja reprodução ao lado) mostrando a posição do Brasil como uma das mais baixas do mundo, atrás da Líbia, Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Canadá e Venezuela, entre outros.    

O Congresso abriu consulta pública sobre a MP. Para participar acesse o link http://www.congressonacional.leg.br/materias/medidas-provisorias/-/mpv/130444.

11.10.17

O pior Chê de todos os tempos


Dia 9 de outubro completou 50 anos da morte do revolucionário Ernesto Chê Guevara. Argentino de nascimento, cidadão do mundo, comandante da revolução cubana, Chê foi assassinado na Bolívia quando tentava organizar a guerrilha naquele país.

Seu nome, seus ideais e sua estampa se tornaram símbolos mundiais de gerações que lutam por liberdade e utopia.

Entretanto, em 1969, dois anos após a sua morte, eis que Hollywood decide produzir um filme sobre a “vida” de Chê Guevara. Por “Hollywood” entenda-se a CIA. A revolução cubana completava dez anos, se fortalecia apesar de todo o boicote mundial (exceto da União Soviética e aliados), e representava uma ameaça direta aos projetos de controle dos EUA sobre o restante das Américas.

Ao mesmo tempo, a morte de Chê Guevara o elevara à condição de mito e herói mais do tivera em vida. Morto o homem, o império precisava matar o mito e tentou fazê-lo da forma que havia aprendido com Joseph Goebbels, ideólogo do nazismo que “ensinou” que uma mentira repetida mil vezes vira verdade.

O maior erro da carreira de Omar Sharif. Segundo ele próprio
Um vigoroso orçamento (para a época) de US$ 3 milhões, um elenco com atores de primeira, como o egípcio Omar Sharif (Chê) e Jack Palance (Fidel), e direção de Richard Fleischer, veterano diretor que um ano antes havia dirigido The Boston Strangler (O homem que odiava as mulheres), foram convocados para produzir a película “Chê!” (que no Brasil ainda ganhou o péssimo complemento de “a causa perdida”).

Jack Palance é um Fidel patético
Para tentar dar maior veracidade ao enredo, a narrativa mescla a forma de documentário com ficção. Na película, um patético Fidel Castro, eternamente de charuto na boca, que não sabe bem o que está fazendo no filme, na revolução e na vida, e um Chê Guevara frio e assassino, que coloca seu sadismo e descaso pela humanidade a serviço de seus interesses revolucionários. Não faltam mortes desnecessárias (para a revolução), hordas de “simples cubanos” sendo enviados para o paredão (fuzilamento) por ordem de Chê (enquanto Fidel, sempre de charuto na boca, está embriagado pelo poder), estupros e “depoimentos verídicos” de cubanos que afirmam odiar Chê e todo seu legado.   

E assim se desenrola o filme criando uma caricatura do comande Chê até culminar na grotesca última cena em que ele é capturado e antes de ser executado recebe a visita de um camponês boliviano, que diz que a vida só piorou depois que o comandante quis exportar sua revolução para o continente. Abatido, Chê aceita sua sentença como prova de seu fracasso mundial. Nada mais ridículo.
Cena em que Chê assina autorizações para fuzilamento
em massa sob olhares consternados da igreja e populares

Antes de o filme estrear, em 1969, Omar Sharif concedeu várias entrevistas afirmando que admirava Ernesto Guevara (sem concordar, necessariamente com seus métodos). Uma delas pode ser acessada aqui (em inlgês).

A recepção do público, no entanto, fez Sharif ter a exata dimensão da roubada em que havia embarcado. Em Paris, uma sala de cinema chegou a ser depredada e incendiada após a exibição do filme.


Em 2007, Omar Sharif admitiu publicamente que aquele foi o pior filme de sua vida e que toda a história e o roteiro foram manipulados pela agência estadunidense de inteligência. "Eu exigi fazer um filme que não tivesse um tom fascista", lembra Sharif, em entrevista à Agência Efe. A CIA estava por trás, queria fazer um filme que agradasse aos cubanos de Miami e eu só me dei conta disso no final", afirmou que ator que classificou o filme como um “produto fascista”.