31.5.18

O dia em que Audálio Dantas escreveu um conto erótico



O jornalista Audálio Dantas foi se juntar a Alberto Dines e outros (cada vez menos) símbolos do bom jornalismo neste país. Morreu vítima de um câncer na quarta, 30.mai.2018.

Minha admiração por ele começou no final dos anos 70, quando ele presidiu o sindicato do jornalistas (eu ainda não exercia a profissão, mas ela já me fascinava) e se tornou deputado estadual, sempre defendendo os direitos humanos, àquela época, como agora, tão atacados.

No início dos anos 2000, sem conhecê-lo pessoalmente, tomei a ousadia de lhe fazer um convite: escrever um conto erótico para um livro que estava editando (Corpos, Editora Limiar). Ele achou bizarro e divertido o convite: "dizem que eu nem trepo, quanto mais escrever sobre isso", brincou e quis conversar pessoalmente antes de responder ao convite.

O desfecho dessa conversa foi um conto com uma das marcas peculiares de Audálio Dantas: o olhar humano do repórter sobre uma situação.

24.4.18

A HISTÓRIA DE UMA FOTO HISTÓRICA

Lula vota para presidente em 1989 - foto Cibele Aragão


Em sua primeira disputa à Presidência da República, em 1989, Lula foi para o segundo turno contra Fernando Collor, que acabaria vencendo a disputa.

No dia da votação havia uma dúvida sobre onde Lula iria votar – como candidato poderia escolher qualquer colégio eleitoral. Naquele dia, o então candidato do PT abriu a sua casa em São Bernardo para um café da manhã com a imprensa, conversou descontraidamente e saiu para votar. A multidão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas o seguiram em uma caravana que lembrava um bando de paparazzi ao redor de algum astro de cinema.
Eu não tinha carro. Fiquei para trás, mas por sorte (mais imprudência do que sorte) parei uma moto e pedi para me levar até o colégio onde Lula votaria. O cara fez uma cara de incredulidade, mas aceitou o pouco dinheiro que tinha.

O “primeiro mototáxi de São Bernardo” era habilidoso e consegui chegar lá antes do que muitos outros colegas, que ainda procuravam lugar para estacionar.

A multidão já se formava na porta da sala onde aguardavam Lula. Ele entrou e a multidão de fotógrafos tentou entrar atrás. Vi fotógrafa Cibele Aragão no emaranhado e a puxei para dentro enquanto me acotovelava com um cinegrafista da Rede Globo que insistia em dizer “primeiro a televisão”. Claro que ninguém deu bola para ele.

Lula votou, posou para as fotos colocando o voto na urna (ainda não eletrônica), beijou a cédula, depositando ali, mais do que um voto, depositou ali o voto de confiança na democracia – hoje tão abalada pelo golpe.

Lembrei dessa história remexendo no baú de fotos antigas. Encontrei as que tirei dele naquela sala lotada, em 15 de novembro de 1989. Encontrei, também, duas da Cibele, que reproduzo aqui.

Salve, Lula, guerreiro da democracia!  

23.4.18

Adeus, poeta!





No dia 20 de abril recebemos a triste notícia do falecimento de Múcio Goes, expressivo poeta pernambucano. Tetraplégico há muitos anos por conta de um acidente de automóvel, Múcio colocou na poesia todo seu amor à vida e sua força de vontade de viver, apesar da constante debilidade de sua saúde e de seu corpo.

Ele não está mais entre nós, foi poetar em outros mares, mas sua poesia continua sendo uma inspiração para milhares de seus fãs e, com certeza, o tempo fará sua obra ser ainda mais reconhecida e admirada do grande público.

Pela Limiar Múcio publicou dois livros: O avesso e o verso e Haicaos, este em parceria com a poeta Sandra Regina.



Leve sua alegria e sua poesia onde estiver, caro poeta!   



21.3.18

Livro "PALESTINA" será lançado em São Paulo dia 3 de abril








PALESTINA, um olhar além da ocupação (Editora Limiar) será lançado dia 3 de abril, em São Paulo. na Mesquita Brasil, Rua Barão de Jaguara, 632, Cambuci



Durante seis dias, em 2015, uma delegação brasileira formada pelo atual vice-prefeito de Foz do Iguaçu, Nilton Bobato, pelo vereador na cidade de Cascavel, Paulo Porto (ambos militantes do PCdoB) e pelo presidente da Sociedade Árabe Palestina de Foz do Iguaçu e diretor de Assuntos Internacionais do Município, Jihad Abu Ali, visitou a Palestina. 

Apesar de serem brasileiros e estarem em missão oficial, isso não lhes garantiu nada diante da ocupação israelense em solo palestino. Apesar de brasileiro, Jihad Ali, filho de palestino, ficou retido na alfândega na entrada e na saída do país; uma das várias situações tensas e discriminatórias ocorrida ao longo da viagem. “Paulo Porto, que tem o biotipo bem europeu, passou sem qualquer dificuldade; eu, cujas características físicas são mais próximas à de um árabe, fiquei detido por algum tempo até me liberarem, mas JIhad, com nome e fisionomia tipicamente árabes, ficou quase 12 horas incomunicável nas mãos das autoridades israelenses”, conta Bobato em seu relato da viagem. 

Sem Jihad para servir de intérprete, os dois outros brasileiros tiveram de se virar para conseguir chegar a seu destino e serem recepcionados pelo prefeito de Jericó, porque, apesar de estarem na cidade, era proibido por Israel o prefeito palestino se locomover livremente pela sua própria cidade. Esses e outros episódios, como o do encontro com o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, a tensão a cada checkpoint (barreiras formadas por soldados de Israel por toda Palestina) e a alegria e surpresa de encontrar, mesmo sob ocupação, uma sociedade vibrante e que não se rende, são relatados de maneira direta neste livro depoimento, belamente ilustrado com as fotos de Paulo Porto. PALESTINA, um olhar além da ocupação, lançado pela Editora Limiar, é um retrato franco e sincero de um povo que luta há sete décadas pelo seu direito de possuir um país; um povo que resiste e se refaz a cada nova geração.

15.2.18

RICARDO TAIRA ASSUME DIREÇÃO DE JORNALISMO DA TV CULTURA


Ricardo Taira, novo diretor de jornalismo da TV Cultura



Livros de Ricardo Taira lançados pela Editora Limiar

 



Após cinco anos no comando do Jornal da Cultura, Willian Corrêa deixou a direção de jornalismo da emissora para assumir o comando da TV Zimbo, em Angola, onde o âncora já havia trabalhado entre 2011 e 2012.

Em seu lugar assume o então editor-chefe, Ricardo Taira. Com 13 anos de TV Cultura e outros tantos de trabalho em jornalismo televisivo, Taira é um dos mais respeitados profissionais de TV.

Pela Editora Limiar, Ricardo Taira lançou dois livros, “A noite da soprano”, romance, cujo cenário de fundo é a onda de ataques promovidos pelo PCC em São Paulo, anos atrás, e Jornalismo ainda é Cultura, escrito juntamente com Willian Corrêa e que analisa o fazer jornalismo do Jornal da Cultura.


“O Jornal da Cultura vai manter seu formato atual, com um âncora e dois comentaristas especialistas na várias áreas do saber”, informou Taira.

18.1.18

Mas que p... tem debaixo do obelisco?




Por Mouzar Benedito

Acabo de publicar mais um romance, chamado O mistério do obelisco e sei que uma pergunta de leitores vai se repetir: “Os seus livros são relacionados a você mesmo e ao lugar onde nasceu?”.
Esta pergunta é comum e feita não só a mim, mas a outros autores também. No meu caso, há quem acredite que alguns livros são partes de uma autobiografia. E esses mesmos livros ou outros têm como cenário Nova Resende, cidade onde nasci e vivi até completar 16 anos de idade.
Tem um pouco a ver, mas não é totalmente assim. Acho que as experiências pessoais acabam entrando de uma forma ou de outra nas coisas que a gente escreve. E Nova Resende foi muito marcante para mim, apesar de ter vivido pouco tempo lá. Mas foram anos intensos, apesar da modorra que era a vida naquele ermo. Personagens para livros é que não faltavam lá.
Em alguns dos meus livros a cidade e alguns personagens dela estão presentes. Às vezes tão presentes que me causaram problemas, como aconteceu com meu primeiro livro, Santa Rita Velha safada, de causos. Teve gente que ficou braba e eu soube que até a Câmara de Vereadores fez uma reunião especial para me amaldiçoar. Já o romance com fundo histórico O tropeiro que não era aranha nem caranguejo foi ambientado lá mesmo, explicitamente.
Agora minha memória anda me puxando para um passado remoto, que remete às minhas origens. Coisa de velho, né? Publiquei, em 2017, no formato e-book o romance Chegou a tua vez, moleque, que tem tudo a ver com Nova Resende, mas é ficção, só que com fundo de verdade e, como procuro fazer sempre, com humor.
Não dei ao local em que é ambientado o nome da minha cidade. Na época em que ele se desenrola, final dos anos 1950 e início dos 60, tanto a cidade quanto a região estavam numa decadência profunda, e os jovens não viam nenhum futuro ali. Tinham que se mandar para e trabalhar e estudar. Claro que baseei um pouco do que escrevi em minha própria adolescência ali, mas não é uma autobiografia.
Agora resolvi publicar em formato de livro mesmo, de papel, o romance O mistério do obelisco, que se passa em meados dos anos 1950, num lugar chamado Vila. Aliás, Nova Resende é chamada até hoje de Vila por muitos dos seus moradores. Alguns leitores vão, com certeza, procurar identificar personagens e “lembrar” de alguns fatos acontecidos na época ou questionar histórias como se eu tivesse escrito uma espécie de documentário.
Então lembro: é ficção. Alguns personagens são inspirados em amigos, mas nem todos. Há personagens totalmente fictícios. E mesmo quando os personagens podem ser identificados com alguém, é preciso lembrar que as situações em que aparecem podem ser fictícias.
Tem tudo a ver com o que acontecia na época, com o nosso cotidiano, com o nosso modo de ver o mundo, mas não é um documentário.  Se alguém for querer confrontar os fatos citados nele, vai ver que há fatos históricos fidedignos, sim, mas também há fatos romanceados ou colocados fora de sua época. É um romance em que procurei “falar” com humor de um Brasil e de certo tempo que parecem pura imaginação.
Em vez de falar mais sobre o livro, prefiro publicar aqui o que a Célia e eu escrevemos nas orelhas dele.  Aí vai:

Passar a infância em uma cidadezinha do interior pode ser muito divertido para um menino curioso, na década de 1950.
Os meios de comunicação restritos – não havia televisão e poucos moradores tinham rádio – e o acesso à informação precário deram um trabalho danado ao menino que queria respostas. Descrevendo o cotidiano ingênuo daquele tempo, o autor nos remete a um cenário terno e afetuoso, fazendo-nos sentir saudade de uma época que só podemos imaginar.
Narrado de forma leve e bem-humorada, essa história nos revela muito da personalidade do hoje homem que foi aquele menino.
Célia Regina Talavera

“Pueril”. Com uma só palavra, a Célia, minha mulher, disse o que achou quando acabou de ler os originais deste romance. A história é contada por um menino de 7 anos de idade, que vivia nos confins de Minas Gerais, numa cidade tão pequena que os próprios moradores chamavam de Vila, em meados dos anos 1950. Sim, há muita ingenuidade nele. Perguntei a ela: “Vale a pena publicar?”. E sua resposta foi a lembrança de uma placa numa pequena casa comercial da avenida São João, em São Paulo, há uns trinta anos: “Vende-se lingüiça de porco para quem gosta de lingüiça de porco”. Quer dizer: tem quem goste. E não é pouca gente. Alguns livros do angolano Ondjaki têm uma ingenuidade e um estilo que emocionam e são extremamente bons de se ler. Aliás, foi depois de ler Ondjaki que me senti compelido a escrever este livro.
Assimilei algo dele: juntar os nomes e sobrenomes ou apelidos das pessoas, transformando-os em uma só palavra.
Enfim, viajei no tempo e me tornei um menino contando esta história. Gostei muito de ter feito isso. E se a Célia o considerou “pueril”, pensando bem, era o que eu esperava. E espero que os leitores entendam isso e gostem.
                                                                                              MB

Agora “nossos comerciais”: o livro vai ser lançado no dia 5 de fevereiro, segunda-feira (uma semana antes do Carnaval), a partir das 19 horas, no Bar das Empanadas (rua Wisard, quase esquina com a Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo). Ele não deve ter distribuição em livrarias. Pode ser encomendado a mim mesmo ou à Editora Limiar. São 240 páginas e só vou cobrar R$ 30,00 mais a despesa do correio. Quem preferir receber o(s) livro(s) em mãos, proponho encontro em algum boteco barato da Vila Madalena (nos bares careiros eu não vou). Além do preço dos livros, só vai gastar o que consumir. O que eu consumir, eu mesmo pago. Quem quiser encomendar desde já, pode entrar em contato comigo pelo e-mail mouzarbenedito@yahoo.com.br  ou mouzarbenedito1@gmail.com.


14.1.18

PALESTINA, um olhar além da ocupação





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Em visita oficial à Palestina, em 2015, os vereadores de Foz do Iguaçu, Nilton Bobato  (atualmente, vice prefeito da cidade), e de Cascavel, Paulo Porto, ambos do PCdoB, e Jihad Abu Ali, presidente da Sociedade Árabe Palestina de Foz do Iguaçu, presenciaram a ignóbil realidade da ocupação israelense em território palestino. O olhar sobre essa realidade é retratado neste emocionante livro. 
"Queríamos falar da gente palestina, do seu dia a dia, do que vimos além da ocupação e com isso possibilitar a visão de que na Palestina tem pessoas que vivem, são solidárias e organizam suas vidas para conviver e lutar contra esta atrocidade que se prolonga por impensáveis 70 anos.
Gerações inteiras de palestinos foram dizimadas ou expulsas de suas terras, enquanto isso o mundo continua a aceitar as atrocidades de Israel.
Espero que este livro ajude a mostrar a Palestina que precisa ser defendida, visitada, estudada, apreciada", afirma o autor Nilton Bobato.
O livro ganha especial dimensão com as fotos de Paulo Porto, que captou, além dos encontros oficiais, o dia a dia da população. 

Os autores
Nilton Bobato é professor, escritor, já foi vereador e atualmente (2018) é vice prefeito de Foz do Iguaçu. É membro da Academia de Letras de Foz do Iguaçu e possui sete livros publicados. É vocalista da Banda Morthal.



Paulo Porto é docente da Universidade Estadual do Paraná, doutor em Educação e fotógrafo documental. Atualmente está no segundo mandato de vereador no município de Cascavel/PR pelo Partido Comunista do Brasil. Atua como militante da reforma agrária e na defesa dos direitos e território das comunidades indígenas Guarani do oeste do Paraná.

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