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5.1.11

Limiar abre 2011 com três novos lançamentos


Pelo quarto ano consecutivo, livros da Limiar foram contemplados pelo Proac, Programa de Ação Cultural, do governo do Estado de São Paulo. Em 2010 dois títulos foram selecionados: O descaminho de Santiago, de Silvio Piresh, e Trem Doido, de Mouzar Benedito. Ambas as obras têm lançamento previsto para fevereiro.

Em março, lança Crônica de uma ilha vaga, primeiro romance de Norian Segatto, editor executivo da Limiar.
O descaminho de Santiago

Paula Lemarca é uma arquiteta que se vê traída pela irmã e pelo noivo. Cansada de ser boa e ingênua, decide fazer o Caminho de Santiago. Ao contrário. Ela quer se desconstruir. Decide se tornar má, miseravelmente má, cruel. Ou, humana, demasiado humana. Paula Lemarca passa por situações inusitadas e muitas saias justas que a farão crescer, ou não, como mulher. Nesse descaminho ou láctea via, também ela feriu, mutilou, andou nua, foi estuprada. Ficou só, sentiu frio. Perseguida por lobos, ela cruza com personagem que cheira a puro enxofre. Encontra com ela mesma. Fica na mão de viciados, magos, bandidos. Sofre na mão de casal alucinado. Há o necessário ato de cortar o dedo de outra mulher. Lava o sexo em pia batismal. Descobre que Deus também sangra, como as mulheres. Enfim, ela se sente bem fazendo o mal. Encarna a máxima que a volúpia única e suprema do amor é a certeza de fazer o mal. Uma história que hoje não deixa de ser oportuna justamente por isso mesmo: permite sentir, viver e morrer de amor. E, ainda, ressuscitar. Um descaminho, que pode ser atalho para se chegar a cada um de nós. Um encontro às avessas. Ou um feliz desencontro com todos os outros relatos sobre Santiago. E isso não é pouco.

Trem Doido

Mouzar Benedito é o moderno andarilho, aficcionado por viagens, em especial de trem. A trabalho, turismo ou por simples bandalheira, ele usou boa parte de sua vida para conhecer o Brasil, os brasileiros e suas histórias. Ao longo desta jornada colecionou causos, crônicas, encontrou com pessoas de todos os tipos. Já foi confundido com extraterrestre, passou pito em governador por não cuidar da memória da estrada de ferro, bebeu de graça e pagou bebida para desconhecidos, andou com os loucos de Nova Resende, namorou, passou apuros, enfim, tudo aquilo que compõe a massa que chamamos vida.
Em Trem Doido, Mouzar Benedito relata histórias pelo Brasil adentro, memórias de sua infância mineira, casos do curso de Geografia da USP, seu encontro com a poetisa Cora Coralina, com pessoas que passaram pela sua vida na profissão de jornalista e, assim, vai formando um rico painel da diversidade cultural brasileira, sempre com muito humor e a radicalidade dos revolucionários de alma.

Crônica de uma ilha vaga

Anos 1990, Collor se elege e a desesperança toma conta do país. Milhares de brasileiros optam pelo autoexílio, entre eles Laura, uma psicóloga em depressão, e Daniel, niilista, recém-formado em História, desempregado. Ambos vivem uma paixão relâmpago no Brasil quando Laura anuncia que irá para Londres – por um tempo indefinido. Meses depois é Daniel quem trilha o mesmo rumo, em busca de si mesmo e de um sentido para sua vida.
Sem falar “porra nenhuma” de inglês, Daniel se aventura pelas terras da rainha, faz todo o tipo de serviço, se torna arrombador de casas e ativista pelo impeachment de Collor, ao mesmo tempo em que tenta manter seu relacionamento com Laura, um amor à distância com Carmem e algumas aventuras sexuais, entre um pint de cerveja e um baseado.
Qualquer pessoa que já morou em outro país, mesmo que por pouco tempo, irá se identificar com os perrengues vividos por Daniel e Laura em Crônica de uma ilha vaga, um romance ambientado nos anos 1990 e surpreendentemente atual.