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25.5.12

Pequenas livrarias encolhem ainda mais



 Paula Cunha - Diário do Comércio - 20/05/2012
(extraído através do blog do Galeno -
http://www.blogdogaleno.com.br/)

As pequenas livrarias estão enfrentando dificuldades para sobreviver em um mercado cada vez mais concentrado nas megastores. Em 2008, eram responsáveis por 50% das vendas de livros no País, mas agora representam apenas 25%. O Brasil conta com 3.481 livrarias, contabilizadas em dezembro de 2011, número que vem caindo ano a ano. Em 2010 eram 3.511. Todos os 30 empreendimentos que encerraram suas atividades no ano passado fazem parte do grupo dos livreiros independentes de pequeno e médio portes.

Afonso Martin, proprietário da Supercap Livraria e Papelaria, há 47 anos na Lapa, zona Oeste da capital paulista, vem observando de perto o encolhimento dos livreiros independentes. Há 15 anos havia dez livrarias nas imediações da Supercap e agora só existe uma outra que está passando por sérias dificuldades.

Martin é veemente em suas críticas aos rumos do setor livreiro nos últimos anos. Para ele, as pequenas editoras e livrarias têm um papel fundamental, pois são elas as responsáveis pelo lançamento dos novos autores que não encontram espaço nas grandes casas editoriais. E são também as livrarias de pequeno e médio portes que se encarregam da tarefa de comercializar esta produção cultural. "Isso afeta a capilaridade da produção cultural nacional. Quando as livrarias morrem, é um problema do autor, da livraria, da editora, do leitor, dos produtores de cultura e das gráficas", opina.

O empresário prevê que, a curto prazo, a unificação dos preços de capa dos lançamentos de livros por um ano possa ser uma medida para diminuir as diferenças entre pequenos e grandes livreiros e para mostrar ao País, à população e aos agentes econômicos – inclusive ao governo – que o livro representa uma cadeia econômica importante e que deve receber a mesma atenção que outros setores.

Impostos – Para o empresário, a redução do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para os livros não beneficiou as pequenas livrarias, pois elas optam pelo regime simplificado de cobrança de impostos, o Simples, e pagam de acordo com seus rendimentos totais. Como não vendem apenas livros, o benefício fiscal acaba sendo diluído. Além disso, ele ressalta que a recusa das editoras em conceder descontos aos pequenos empreendimentos contribui para a concentração do setor em estabelecimentos de grande porte.

Vendas diretas – Outra política prejudicial é a redução de preços para escolas e consumidores finais que compram diretamente das editoras. Quanto a isso, o dono da Supercap propõe que, para estimular as vendas, ao invés de comprar os livros didáticos e distribui-los nas escolas, o governo distribua um vale para que os pais escolham as livrarias próximas de suas casas.

Para que a ideia seja implementada, diz ele, seria necessário criar mecanismos para que estes vales fossem utilizados exclusivamente para a compra de livros. A médio prazo, a iniciativa afetaria positivamente toda a cadeia de pequenos e médios livreiros.

No longo prazo, ele acredita que as medidas para melhorar o nível de ensino nas escolas públicas e medidas de estímulo ao consumo de bens culturais para a nova classe média também seriam essenciais para se consolidar o livro como um bem que faz parte do dia a dia de toda a população. "Estamos muito próximos do limite para resolver a situação das pequenas livrarias ou os novos empreendedores não escolherão este ramo no futuro", conclui Martim.

Iniciativa – Diante desse quadro, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) aposta na profissionalização do segmento e anuncia, além de a intensificação de pesquisas junto aos empreendedores, medidas para acelerar o processo de profissionalização dos estabelecimentos de pequeno porte. E volta a reivindicar o tabelamento dos preços dos livros. Sugere, ainda, a criação de uma lei, adotada pela França e pelo México, que exige o preço único do livro por um ano após o seu lançamento para garantir a continuidade dos pequenos livreiros.

O vice-presidente da ANL, Augusto Mariotto Kater, lembra que os pequenos e médios estão preocupados em encontrar caminhos para se manter no mercado e sobreviver à concorrência com as grandes redes de livros.

Faltam lojas no Brasil

A quantidade de livrarias no Brasil é ínfima para um País de 192 milhões de habitantes. Isso quer dizer que existe uma livraria para cada 55 mil habitantes. A Unesco recomenda uma para cada 10 mil. O Brasil tem mais de 5,5 mil municípios, portanto, o déficit de livrarias é alto. E a desigualdade entre os empreendimentos de grande e pequeno portes também se reflete na distribuição de livrarias por todo o território nacional.

De acordo com a Associação Nacional de Livrarias (ANL), São Paulo é o Estado com o maior número de estabelecimentos (989), seguido de Rio de Janeiro (427), Rio Grande do Sul (424), Minas Gerais (361) e Paraná (219). As unidades federativas com o menos livrarias são Roraima (5), Acre (7), Tocantins (9) e Amapá (10).

As capitais com menor número de lojas são Rio Branco (7), Porto Velho (5), Boa Vista (5) e Palmas (4).

Para Ednilson Xavier, presidente da ANL, o baixo número de livrarias pode ser um dos responsáveis pelo mínimo índice de leitura do brasileiro, que, segundo o Instituto Pró-Livro, é de quatro livros por ano. E a situação pode piorar com o encolhimento das pequenas livrarias.

"As grandes redes não se instalam em cidades pequenas", lembra Afonso Martin, proprietário da Supercap Livraria.

Por isso a ANL aposta em duas ações para garantir a sobrevivência do setor: a lei do preço único, que depende de mobilização política, e o livro digital. Dos 89% dos livreiros que ainda não vendem e-book, 62,5% esperam fazê-lo em 2012.

Mercado livreiro cresceu menos em 2011

Em declínio nos últimos quatro anos, o faturamento do segmento de livrarias no Brasil foi de R$ 2,2 bilhões em 2011. Segundo o Levantamento Anual do Segmento de Livrarias, da Associação Nacional de Livrarias (ANL), esse índice ficou em apenas 5,26%, ou seja, 1,24% abaixo da inflação. Foi o menor valor desde que a ANL começou a fazer a pesquisa, em 2009. Naquele ano, o crescimento foi de 10,46%.

Em 2011 houve queda nos preços finais dos livros, da ordem de 4,9%, pois houve o benefício da redução do PIS/Cofins. Para o presidente da ANL, Ednilson Xavier, o setor livreiro passa por uma fase de concentração significativa em redes de grande porte.

O estudo da ANL indica que as redes com mais de cinco lojas, que representam 19% deste total, detêm 43,75% do faturamento do segmento. Do total, 21,88% registraram faturamento anual inferior a R$ 1,2 milhão, contra 32,35% em 2010. Este recuo é consequência do fechamento das lojas de pequeno porte. Os empreendimentos que faturam de R$ 1,2 milhão a R$ 9,6 milhões passaram de 29,41% para 34,88% do total.

Segundo a ANL, para 70% dos pesquisados, a venda de livros representa 56,25% do faturamento total. Quanto ao total de exemplares vendidos, 3,57% das livrarias vendem até 10 mil livros por ano. Os estabelecimentos que comercializam de 10 mil a 50 mil anuais somam 25%, de 50 mil a 250 mil são 25% e de 250 mil a 500 mil unidades representam 14,29%. Os maiores, com mais de 500 mil livros vendidos, são 32,14%.

Dentro das estratégias de crescimento, as vendas pela internet foram adotadas por quase 60% das redes. Para 63,1% dos estabelecimentos, o e-commerce representa até 5% do faturamento. Para 10,5% deles, situa-se entre 5% e 10%. Para 21,05%, está na faixa de 10% a 15%, e para 5,25%, a comercialização via web é superior a 15% dos ganhos. No caso dos livros digitais, somente 24,2% das livrarias comercializam o novo formato e 89% ainda pretendem oferecê-lo.

7.5.12

Confira as fotos do lançamento do livro HAICAOS

Muita gente prestigiou o lançamento do livro haicaos, de Sandra Regina e Múcio Góes, realizado nos dias 27, 28 e 29 de abril, no Miquelina Bar, Livraria da Vila e Casa das Rosas. Foram três dias de pura poesia.