31.5.18

O dia em que Audálio Dantas escreveu um conto erótico



O jornalista Audálio Dantas foi se juntar a Alberto Dines e outros (cada vez menos) símbolos do bom jornalismo neste país. Morreu vítima de um câncer na quarta, 30.mai.2018.

Minha admiração por ele começou no final dos anos 70, quando ele presidiu o sindicato do jornalistas (eu ainda não exercia a profissão, mas ela já me fascinava) e se tornou deputado estadual, sempre defendendo os direitos humanos, àquela época, como agora, tão atacados.

No início dos anos 2000, sem conhecê-lo pessoalmente, tomei a ousadia de lhe fazer um convite: escrever um conto erótico para um livro que estava editando (Corpos, Editora Limiar). Ele achou bizarro e divertido o convite: "dizem que eu nem trepo, quanto mais escrever sobre isso", brincou e quis conversar pessoalmente antes de responder ao convite.

O desfecho dessa conversa foi um conto com uma das marcas peculiares de Audálio Dantas: o olhar humano do repórter sobre uma situação.