24.10.19

A fantasia, o design e a literatura para a infância




O lançamento de um livro, especialmente quando é o primeiro, causa muita apreensão, receio de várias espécies: os amigos virão prestigiar? Vão gostar do que escrevi? Vão me achar ridículo?

Escrever envolve esforço intelectual, físico e emocional, você escancara uma janela para as pessoas espiarem dentro de você, invadirem sem convite uma intimidade antes só sua.

O mesmo desafio é, por outro lado, carregado de um prazer especial, o de lançar ideias ao mundo, fazer sua voz encontrar eco em outros, superar as próprias angústias, colocar de forma clara no papel conceitos que, muitas vezes, estão embaralhados na mente; tornar versão material, palpável, o que antes era apenas sonho ou elucubração. Não à toa, compara-se a publicação de um livro com um nascimento, um filho que geramos para o mundo.

Acompanhei desde o primeiro momento o trajeto do livro da Michaella, ainda como sonho, de continuar os estudos com o doutorado, da opção pelo tema surgida a partir da experiência prática de um trabalho, do desprendimento de buscar um novo caminho e, para isso, sacrificar em parte projetos profissionais em curso.

Acompanhei seu doutorado na FAU-USP, vendo como se irradiava a cada nova descoberta, como se abatia, mas enfrentava os desafios, como tentava conciliar estudos, vida de mãe, mulher. Após a defesa da tese acompanhei a legítima ansiedade de prosseguir o trajeto, de entender mais, aprofundar e buscar novas referências. Daí surgiu a possibilidade de gerar um livro.

Podia parecer fácil, o mais complicado já estava feito, escrito e defendido com louvor. Trabalho com edição de livros há quase 30 anos e sei que não seria tarefa simples; acompanhei como Michaella se empenhou, como questionou conceitos que havia defendido e procurou esclarecê-los ainda mais, como tentou aprofundar o que já é profundo por sua natureza de campo de estudo.

Livro feito, madrugadas descartadas do sono, tensões de ordens diversas, chegou o momento do lançamento, de expor a criação ao mundo. Contando com o auxílio luxuoso de vários parceiros/parceiras (equipe do MCB, do IIC, Pino Boero, Silvana na revisão, Avalone na divulgação, Marcelo na arte, Sônia no apoio sempre prestativo de todas as horas, Odilon e Clice nas reflexões), em uma agradável tarde primaveril, veio ao mundo “A fantasia, o design e a literatura para a infância”, síntese de seis anos de construção da Michaella.

Agora ele está aí, com pernas e asas imaginárias para percorrer o mundo real. Não é apenas o esforço pessoal que tem de ser admirado, este é registro individual, passageiro; o permanente é o conteúdo, a luz sobre conceitos que geram outros, que estimulam debates e reflexões, que contribuem para entender a produção da literatura para a infância, que abre portas para novas pesquisas e experimentações.

O estudo de Michaella Pivetti é uma importante contribuição para vários campos de estudo, merece ser lido e apreciado – sem moderação. 



Fotos do lançamento










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