24.3.20

Admirável mundo novo






Estamos no ano 2540, ou 632 DF (Depois de Ford), um mundo onde a o modelo norte-americano atingiu seu grau máximo, a história parece esbarrar em sua última fronteira, tudo é padronizado, de seres humanos (gerados cientificamente) à economia, à obrigatoriedade da felicidade oferecida pela tecnologia. A identidade e personalidade são moldadas pelo Estado por meio de hipnopedia, hipnose auditiva durante o sono, “a maior força socializante e moralizante de todos os tempos”. Desde seu nascimento, o ser humano é educado em “centros de condicionamento do Estado”. A sociedade é dividida em castas e cada pessoa assume um papel de acordo com suas habilidades (ou meritocracia, para usar um termo atual).

Escrito por Aldous Huxley (1894-1963) em 1931 e publicado no ano seguinte, Admirável Mundo Novo é a consagração do pesadelo tecnológico a serviço de um Estado totalitário. A obra de Huxley se apropria de seu tempo, dos avanços científicos que a humanidade experimentava, ou almejava (como a clonagem humana, tema de recorrente na ficção da época, e teorias comportamentais como as desenvolvidas por John B. Watson), da derrocada da economia do planeta, ocasionada pela crise mundial de 1929 e o avanço do fascismo e do nazismo.

A distopia de Huxley se passa seis séculos no futuro, mas fica clara a urgência de sua denúncia. O próprio autor escreveu, em 1947: “parece que a utopia está mais próxima de nós do que se poderia imaginar há quinze anos. Nessa época coloquei-a à distância futura de seiscentos anos. Hoje parece praticamente possível que esse horror se abata sobre nós dentro de um século”.

A leitura de Admirável Mundo Novo me impactou mais do que 1984, outro clássico do gênero, assinado por George Orwell. Aldous Huxley descreve um “mundo perfeito”, absolutamente condicionado, dominado pela propaganda do Estado, com pessoas irremediavelmente felizes, como nas fotos que vemos atualmente nas redes sociais, e com os – poucos – opositores perseguidos e exterminados.

O livro, lançado no Brasil em 1941, é um manifesto pela humanidade, mas, também um alerta e uma denúncia contra tempos sombrios que se avizinhavam. Uma distopia que a atualidade parece querer transmutar em realidade. 


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